terça-feira, 22 de outubro de 2013

A HISTÓRIA DE PAI BENEDITO DE ARUANDA

                                         


                   


                                             

                       Nasceu em Luanda, hoje capital de Angola, na África em 1582, teve uma infância miserável como grande parte dos africanos de Luanda, quando jovem casou-se tendo filhos com esta esposa que veio a falecer depois de alguns anos
               
                      Com a colonização o continente americano exigia trabalhadores braçais, muitos africanos foram extraidos de seu país para a América do Norte, Central e do Sul. Entre esses milhares de negros que viriam a ser escravos dos portugueses, estava Benedito, que chegou ao Brasil em 1646, com 32 anos, na cidade de Salvador, Bahia, acompanhado de alguns de seus filhos.
Chegando na fazenda "Porto do Sol" em Salvador, Benedito foi designado para ser trabalhador nas lavouras de cana-de-açúcar e na retirada de pau-brasil.

                  Um dos grandes presentes que Benedito recebeu desde que chegou no Brasil, foi o conhecimento a respeito de um homem que os portugueses chamavam de Deus e Senhor, chamado Jesus. Benedito amou Jesus desde a primeira vez que viu uma de suas imagens e soube de sua história de vida na  pequena igrejinha da fazenda, depois deste dia nunca mais se sentiu só ou desconsolado, pois sentia sempre a presença daquele a quem ele havia aprendidoas amar e havia recomhecido como Senhor.

                   Quando estava com aproximadamente 64 anos, foi vendido para outra fazenda também na Bahia, chamada "três Marias".

                  Foi escravo de um homem de seus 30 anos, jovem de coração duro e rígido, mas que respeitou Benedito desde o primeiro dia que chegou à fazenda meandando que seus capatazes o tratassem com mais respeito pela sua elevada idade.
                   Com o tempo o senhor foi percebendo os conhecimentos de Benedito, trazendo o velho Benedito para administrar a casa da fazenda.

                                          

                 Durante todos estes anos que passou na senzala acompanhado de Joana (Mãe Joana) e seus filhos, João (Pai João da Caridade), José (Pai José),  dispensou todo o tempo que tinha para abrandar o coração de centenas de outros escravos da senzala.
                Falava sempre sobre o consolo que esperaria a todos os escravos após a morte, nos braços de Jesus.

               Com isso conseguiu evitar diversas revoltas na senzala da fazenda "três Marias", por isso todos os escravos respeitavam e amavam muito ao velho Benedito ao qual eles chamavam de "Baba", na língua nagô/yorubá, "Pai".

               Benedito sempre dizia: "Pai é apenas o Senhor Jesus Cristo, que consola todos os desconsolados, pacifica todos os atormentados, amando os odiados, perdoando aqueles que ofendem, unindo os que discordam, dando luz àqueles que vivem nas trevas", incentivava a todos a amarem mais os brancos pois eles não sabiam o mal que faziam. Desta forma não havia coração que não amolecesse em suas mãos.

              Benedito casou-se com uma mulher bem mais nova que ele, chamada Joana, que seria sua companheira eté o fim de sua vida.

              Quando tinha 68 anos nasceu mais um filho ao qual ele deu o nome de Benedito e no ano seguinte nasceu no mesmo ano o filho do dono da fazenda.

               Os dois meninos sempre brincaram juntos, Ditinho com sua molequice e o menino Cidinho, filho do dono da fazenda, todos ficavam admirados com sua alegria.

               Cidinho passava mais tempo na senzala com os escravos do que na casa grande.

               Desde o seu nascimento Pai Benedito devotava um carinho muito grande por Cidinho embalando seus sonos, e por várias vezes Cidinho adormecia em seu colo ao som de suas histórias de senzala e Pai Benedito o levava em seus braços para a casa grande.

               Quando Ditinho, filho de Pai Benedito, completou 15 anos começou a se envolver com idéias de libertação de escravos, tramando junto com outros as escondidas para livra-los da fazenda.

             Quando o dono da fazenda descobriu isto, mandou que chicoteassem Ditinho até a morte, desta vez Pai Benedito interviu e pediu para que o dono da fazenda não fizesse aquilo.

              - Por favo coronel, em nome de Jesus, não faça isso com o Ditinho. Falou Pai Benedito.

              - Desta vez foi demais Benedito, eu esperava qualquer coisa desses negros, mas de seu filho... Isso foi um ultraje à minha autoridade, ele vai ter que pagar.

              - Por favor não!, chicoteie a mim, mas não a ele!

              - Seja feita a sua vontade, velho Benedito, mas foi a sua vontade e não a minha!

                      

                   Os capatazes sob as ordensdo coronel, agarraram o velho Benedito e desceram a ladeira até o tronco. Neste momento Cidinho, o filho do coronel começou a gritar desesperadamente, e o seu pai o segurou, e ele gritava, cada vez mais alto que não fizessem aquilo com o pobre escravo, que dedicou todo seu amor a ele, mas de nada adiantou tamanha era a ira do coronel.
                 
                  Puseram Pai Benedito no tronco e cada chicotada era sentida pela centena de escravos que foram trazidos para aprenderem oque acontece com quem trai a confiança do senhor da fazenda.
                   
                   Cidinho gritava desesperado pelo mal que estavam fazendo ao pobre escravo que apanhava sem soltar um gemido.

                  O velho coronel não entendia porque seu filho se importava tanto com um escravo, até que Cidinho de tanto gritar, desmaiou, e o coronel pediu para que parassem de bater no velho escravo. Pai Benedito desmaiou sem ter dado sequer um grito.

                  Pai Benedito foi jogado à beira da praia sob a revolta dos escravos que queriam busca-lo, mas, com ameaças de que se alguém tentasse fazer algo por ele receberiam o mesmo castigo, eles relembraram as palavras de Pai Benedito que lhes encinara que deviam amar mais os brancos pois eles não sabiam o mal que faziam, rezaram e pediram para Pai Benedito a clemência de Jesus, pois não poderiam fazer nada sem quebrar a promessa que fizeram a ele de amar mais e tentar entender os brancos.

                 As preces de todos foram ouvidas,  e alguns jesuítas recolheram a Pai Benedito, que ficou desacordado por dias, sendo tratado com bálsamos e remédios para as chagas que lhe marcavam todo corpo.

                 O filho de Benedito, Ditinho, foi morto pelos capatazes da "três Marias".

                 O filho do coronel sem saber o fim que levara o seu velho tão amado, daquele dia em diante, prostrou-se e depois de algum tempo, morreu sem que ninguém entendesse oque havia acontecido.
   
                 Na verdade morrera de saudades de Pai Benedito.

                A resistência de Pai Benedito era tanta que ele conseguiu se recuperar, agradecendo a Deus e a seu amado Jesus, pela assistência recebida pelos jesuítas.

                Mas o seu amor e sua humildade marcaram tanto aqueles jesuítas que ele passou a morar com eles, e a partir daí passou a atender as pessoas que pedissem ajuda, aconselhando a todos, até influentes políticos da região que iam constantemente pedir-lhe orientações.

                Como os jesuítas não poderiam mais permanecer com ele ali, Pai Benedito passou a morar numa pequena choupana na ponta da praia cedida pelo capitão hereditário da Bahia, com sua esposa que após o arrependimento pela morte do filho, o coronel libertara.

                 Pai Benedito de Aruanda então Falece, deixando 18 filhos (no Brasil e na África), entre os quais, muitos deles tornaram-se espíritos de luz.

                 Após desencarnar foi recebido por aquele a quem tanto serviu, Jesus Cristo, que lhe disse:

                - Vem Benedito, agora descansa, que logo mais é hora de trabalhar em favor da humanidade!

                Pai Benedito comanda na espiritualidade a falange de Aruanda, que é um grupo de trabalhadores ex-escravos na espiritualidade, a serviço do próximo.

                   

                                                                                            MARCELO D´OLISSÁ

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